Hoje somos pelo menos dez médicos no Brasil a fazer o tratamento com vacinas. A cada dia mais centros de reprodução assistida estão utilizando a imunoterapia devido à melhora em seus resultados.
A finalidade é para a mulher engravidar somente quando tivermos certeza que passou a desencadear uma resposta imune de reconhecimento dos antígenos paternos.
Estudos revelam que mulheres com história de aborto apresentam um crossmatch negativo em cerca 95% dos casos, quando realizado o exame em mulheres normais o teste foi negativo em 18%. Aquelas que tem resultado negativo e tiveram aborto ou falhas em ciclos de fertilização assistida, devem realizar o tratamento. Toda gravidez normal implica na produção de anticorpos anti-HLA do marido. Esses anticorpos são mais facilmente identificados por técnica de crossmatch por citometria de fluxo, especialmente quando se investigam casais normais. Como lidamos com casais com problemas, a técnica de crossmatch por microlinfocitotoxicidade é suficiente para diagnosticar a dificuldade de se estabelecer essa resposta e para controle do tratamento.
Mulheres com falhas de implantação ciclos de FIV têm uma reação imune com tendência a produzir uma resposta do tipo 'agressora' (resposta Th1) e não 'protetora' (resposta Th2) em relação à gravidez. O crossmatch de pacientes que não engravidaram em ciclos de FIV em quase sua totalidade é negativo (elas não foram expostas aos antígenos de seus maridos depois da implantação). Trabalhos recentes demonstram que a imunização muda o padrão de resposta de 'agressora' para 'protetora' (de Th1 para Th2). Esse mesmo efeito se consegue com uso de imunoglobulina humana intravenosa, porém a um custo dez vezes maior.
Rotineiramente utilizamos o crossmatch para certificar a eficácia do tratamento, porém estudos investigam se a dosagem de substâncias Th1 e Th2 podem ajudar nessa avaliação de forma mais específica.
A capacidade de responder a um estímulo imunológico depende de características individuais e da potência do estímulo em relação àquele indivíduo. As dificuldades imunológicas se estabelecem por maior semelhança imunológica entre os pares de casais. A maioria dos casais responde com uma seqüência de duas doses, outros necessitam de maior número de estímulos.
Não há um dado específico que determine a cada quanto tempo se deve fazer um reforço. Este protocolo visa garantir que a mulher esteja com uma produção intensa de anticorpos enquanto tenta engravidar.
O material utilizado na produção das vacinas com leucócitos é feito apenas de células do sistema de defesa (neutrófilos e linfócitos). Essas células são destruídas e removidas do organismo receptor depois de um curto espaço de tempo (menos de seis semanas). Não há porque ter qualquer conseqüência futura que não o estímulo imunológico, em especial alterações do ponto de vista genético. Não se trata de transferência de material que iria modificar geneticamente o indivíduo receptor. Do ponto de vista imune as modificações que se induz são exatamente as mesmas que ocorrem em uma gravidez normal, em que a mulher é exposta aos antígenos de origem paterna através da placenta. Pode ocorrer limitação para futuros transplantes em que a mulher imunizada seria receptora de órgão de seu marido ou doador com o qual foi preparada a vacina Há que se ter atenção com a sensibilização para o fator RH. Sempre que a mulher tiver tipo sanguíneo RH negativo e o marido (ou o doador) for RH positivo ela deve receber uma vacina anti-RH (rhogam, matehrgan ou prartogama) em cada imunização com leucócitos Cuidados devem ser tomados com a transmissão de doenças infecciosas, sendo feito um rastreamento prévio através de sorologias.
Na história do tratamento imunológico, Dr. Beer sempre teve um papel fundamental, por ter sido seu idealizador e até hoje o homem com mais experiência no mundo nesse tratamento. Desde sua instituição na década de 80, o FDA acompanhou o desenrolar da imunoterapia, que inclusive recebia suporte. Houve uma mudança na política de controle do tratamento a partir de 2000, quando o FDA deixou de enquadrar o tratamento como um procedimento transfusional e passou a ser considerado como transplante de órgãos. Com essa nova política foi solicitado um novo estudo duplo cego randomizado para se confirmar o tratamento, o que se considera uma fase três de uma nova técnica terapêutica. Esse estudo estava em andamento quando não houve consenso entre os centros participantes quanto à metodologia proposta para se avaliar a eficácia do método. Havia discussões de como se avaliar a resposta imunológica, quais e onde seriam realizados os exames de controle e qual a técnica utilizada como estimulação. Dr. Beer tinha outras propostas e decidiu se instalar na Inglaterra, país tão respeitado e rigoroso cientificamente quanto os Estados Unidos e lá desenvolve seu tratamento com o mesmo sucesso de antes. Pena para os casais americanos que agora precisam se deslocar para Londres para receber o mesmo tratamento antes disponível em inúmeras cidades americanas.
Há uma incidência de 3% a mais de baixo peso ao nascimento nas pacientes tratadas de alterações imunológicas, sejam autoimunes (tratadas com medicações) ou aloimunes (tratadas com as vacinas). Existe ainda um risco de trabalho de parto prematuro entre as mulheres tratadas, mas devido à patologia imunológica e não ao tratamento com as vacinas.